quinta-feira, 21 de agosto de 2003

Ele tem 30 anos! Não se apaixona! Tem uma mulheres, 2 filhos, e uma malícia do tamanho da mala gigante dele que ele trouxe pro Brasil. Mas não sabe mais se apaixonar. Então, que graça tem?? Só se for a graça de tentar imaginar em que talvez ele possa pensar. Mas nada demais. Nem o mistério dele nem de ninguém me chama a atenção. E por isso que ele continua assim, meio sem graça.
Mas, sabe?! Eu acho ele uma gracinha quando não sabe alguma coisa e ele fica nervoso. Como a fila dos carros. Ele sempre acha q a fila que ele está, anda menos. E eu achei tão bonitinho quando ele disse, que eu resolvi ficar bem quietinha e rir por dentro. Mas depois eu não agüentei e disse pra ele que quando a gente ta na fila que anda mais, a gente não repara na fila do lado que ta parada, e que é por isso que temos a impressão de sermos pessoas extremamente azaradas. Mas eu não FALEI pra ele, eu só MOSTREI numa hora que a gente tava andando na pista do meio e a da esquerda estava paradinha. Foi engraçada a reação dele.
Depois ainda eu fiz uma comparação com o elogio e a crítica. Mas eu não consegui explicar direito, eu acho. A crítica é a fila parada. Todo mundo repara e reclama. Agora, quando você está na fila que anda, uma qualidade sua, uma oportunidade para reparar que a fila está andando mais rápida do que a do lado, e que pode ser uma oportunidade de ser elogiado (pelos outros ou por si mesmo). É bem assim, nessas ocasiões ninguém repara.

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