domingo, 29 de junho de 2014

Antes eu tinha certeza do que fazer com minha vida, mas não tinha certeza de quem eu era.
Quando me encontrei e cheguei mais próxima de mim mesma, perdi a certeza do que fazer com minha vida.
Talvez pelas circunstâncias, pelas dúvidas, pelas inseguranças e desconfianças. Mas me parece que o pré-requisito para ser um ser humano é ter que estar sempre perdido em algum âmbito da vida. Vida incrível!!! Mostre-me seu sentido, por favor!!!!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Alguns desabafos meus comigo mesma

Me pergunto qual é a graça da vida quando não se tem ilusões. Não tenho ilusão amorosa, ilusão financeira, ilusão familiar, ilusão de imagem de beleza, ilusão de status. Me falta a ilusão da vida. Não sinto prazer em viver. Como não posso parar como antes eu parava, dá pra disfarçar a desvontade de viver. Mas pelo menos antes a poesia vinha me visitar. Antes a dor da vida era maior, muito maior, sofria muito mais. Hoje já me acostumei com ela. A impressão que tenho é que vivi tudo o que eu tinha que viver em relação aos prazeres da vida, o prazer de ser compreendida, o prazer de viajar, o prazer de seduzir, o prazer de comer um bom prato de alta gastronomia, o prazer da vaidade, o prazer do corpo, o prazer da poesia, o prazer da paixão, o prazer da amizade.. Enfim, os prazeres da vida me passaram, como se eu fosse uma idosa de 110 anos bem vividos. Como se eu estivesse só aguardando o inevitável acontecer, de Deus me levar, me chamar pra descansar, ou pra trabalhar com prazer de servir à Ele. E não mais viver aqui, onde a cada dia que passa estou privada dos prazeres da vida. Que graça tem? Pra que? Viver por viver, viver pra sofrer, viver pra privar, viver pra definhar. Ainda bem que não tenho filhos, e por enquanto não pretendo tê-los. Como ser uma mãe sem ilusões? Seria uma péssima, estragaria a vida de uma pessoa, com certeza. Sem realizações e sem satisfações, pois esses dois elementos dependem das ilusões que se tem. Eu não queria falar, não gostaria mesmo de assumir, mas assim que minha mãe se foi, as ilusões, pouco a pouco se foram também. Não sei exatamente qual relação uma coisa tem a ver com a outra, mas desejo que ela não se sinta culpada, tente me entender e fique bem.
Aí quando eu vejo uma grande diferença entre o discurso e a atitude das pessoas, me decepciono. Muito. Coisas que há anos eu acreditava como verdade única e absoluta, se desfazem. Apenas com uma simples observação de atitudes. Em um ano, amadureci 10. E isso ninguém tira de mim, nem as decepções, nem se eu olhar pra trás e voltar pra trás. A solidão é algo real e concreto. Vi quem se importa, quem sente consideração, quem me ama. Acho que o amor puro e verdadeiro, só de Deus. As outras pessoas também tem a vida delas, as solidões delas. Quem só falava, ou quem muda de ideia rapidamente de uma hora para a outra mostraram suas caras pelas (faltas de) atitudes. A distância é um elemento bastante interessante, assim como a solidão, a desilusão... Quando eu falo alguma coisa e me respondem que sabem bem como é, sinto vontade mas não digo.... quero dizer que não sabem tão bem quanto eu sei. Falo com propriedade de quem não tem mais dó de si, de quem viveu pra poder dizer, sem aumentar nem diminuir, sem exageros. Apenas com a experiência da dura realidade que a solidão, a distância, a desilusão e outras 'faltas' me trouxeram.
Já levei tanta cacetada da vida, que estou começando a concluir de que a desilusão vem daí. A amargura, o isolamento, a distância, as faltas.... uma coisa tem a ver com a outra. E aí faço sofrer quem está ao meu lado. Não trato com o devido cuidado. Acabo tratando de qualquer jeito, da mesma forma como me trato. Aí descamba tudo e a bola de neve se perpetua.
Aprendi também que ninguém se importa como eu me importo. Ninguém no mundo, talvez mais que eu só Deus, por isso que é Ele quem me ama pura e verdadeiramente. Aí, pra sofrer menos ou fingir que não sofro, a gente se engana que não se importa, e vai engolindo toda a dor, todo o sofrimento, toda a privação, toda a solidão, toda a mágoa, toda a desilusão, todas as decepções, tudo de ruim e péssimo que você não pode dividir com ninguém, porque sabe que ninguém vai te entender. Você já perdeu essa ilusão de que alguém te entenderia nesse mundo. Isso não existe pronto e acabou.
E a gente vai seguindo... respirando, dormindo, levantando, comendo, tomando banho, trabalhando, comendo, respirando, dormindo, levantando..... viver por viver.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

ultimamente ando sentindo uma certa necessidade de criar uma atmosfera
como aquela que existe na Terra e que faz a gente respirar
uma atmosfera de música, de arte, de poesia, palavras e gargalhadas..
nada como ser quem se é

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

a neurótica

A sensação que tenho é de que tá tudo engasgado há dias, há semanas, há meses ou anos. Decepção, frustração, ou seria apenas solidão? Tanta frieza, tanto egoísmo... uma geladeira. Difícil de compartilhar, de se comunicar... estamos distantes. Não posso culpa-lo por tudo. Talvez seja mais responsabilidade minha do que dele, pois quando um não quer, dois não fazem. E eu sei disso, por isso tenho a parcela maior. Quero acreditar que tudo vai mudar, pois ele não está sendo o homem que amo. Estou estranha como sempre fui. Sem a vontade de viver, sem o sentido da vida dentro de mim. Ando com um ligeiro desânimo disfarçado de choro engolido. Ando com o olhar baixo, com a postura mais curva do que o normal. Este ano faço 30. A cada dia que passo não me sinto mais sensual, e como um bom pleonasmo, isso tem piorado a cada dia. Meus cabelos caem muito mais do que o normal, meu intestino está solto, parece que tem algo querendo sair de mim, algo meu e ao mesmo tempo algo que não me pertence. Algo que não combina com essa melancolia toda, ou que combina perfeitamente. Assim que eu tiver uma boa hipótese do que seria, provavelmente conseguirei saber em que time esta coisa joga. Ou não. Ou talvez isso não faça diferença, não tenha o mínimo de importância e eu esqueça que um dia já pensei sobre este assunto. Me perdi. Minha criatividade se esvaiu. Não sinto vontade de criar poesias, de ouvir música ou de dançar. Sei que minha melancolia não incomoda a existência de ninguém, nem a minha. Os horrores das mentiras da mídia que quer o pescoço de inocentes aleatórios ou não já não me fazem cócegas. As dezenas de mortes de pessoas relativamente próximas também não. Já não sinto mais o calor horroroso que está fazendo neste verão. Não sonho. Não sinto prazer na vida e não sei como fazer pra recuperar o que sou de bom e lembrar o por que amo a mim mesma. A vida é um ciclo, nossa psiquê, um espiral e as coisas sempre voltam aos mesmos pontos por causa deste arquétipo de ciclo. Durmo porque durmo. Como porque como. Respiro porque respiro.