sexta-feira, 17 de janeiro de 2003

E dai q eu passava dias sem tomar banho, dormia sem escovar os dentes e nao mais chorava, pq chorar eh diminuir a profundidade da dor e nao era isso que eu queria.

A janela do meu quarto gostava d ficar fechada, assim como a porta. O computador ligado, portishead na caixinha branca palida, tv ligada com o som mais baixo possivel, soh para fingir que tudo oke se mexe tem vida propria. Talvez eu devesse deixar o microondas ligado 24hs, neh, assim como o ventilador me dah uma falsa impressao de que tem algo entrando e enchendo esse lugar.

E sentindo. Talvez um vazio cliche, talvez uma dor fodida, ou mesmo falta de amor pela'quela pessoa q eu dizia nao conhecer e q ainda nao conheço. Noites sem dormir nao por pensar em alguem, mas por nao conseguir fazer nada. Nao conseguir sair daki, nao conseguir ir atras das coisas, de dentista, ginecologista, exames de HIV, pilula anticoncepcional, gravaçoes de cd que me dao o direito a ver o dinheiro. Nao, nada disso. Atençao talvez, acabei de pensar nisso. Atençao dos meus pais. Eu sei que eles nao me percebem, nao me ouvem, nao me sentem, nao se preocupam mto com meu estado mental, mais com o meu fisico, se eu dou ou nao dou, se eu vou morrer ou nao, se eu vou ser sequestrada ou algo q o valha. E nao se importam se estou feliz.

Meus amigos talvez. Amigos... nao vou atras deles. Estou com pena do que eles vao sentir qndo me virem nesse estado de coçar ouvidos e segurar lagrimas.

Estive pensando... se nao houvesse esse computador aki... talvez eu arranjasse outra coisa pra fazer, ou ficaria no meu quarto, assistindo televisao, ou fingindo que estaria viva. Essa merda soh ajuda a amenizar um pouco. Pq me faz o dia passar rapido. Me distraindo um pouco ou me fazendo pensar nisso tudo e nao me fazer sentir, pq qndo eu escrevo aki eh isso q acontece. Vai saindo de mim e eu nao preciso entrar mto em contato com meus sentimentos.

Mentira, entro sim, mas eu finjo q nao entro. Ultimamente soh quero fingir. Fingir ser normal, fingir que choro, fingir q durmo, fingir q ouço. Ninguem entende uma coisa dessas. Aposto q vc deve estar me achando uma maluca ou pensando que nunca gostaria de me conhecer, alias, se vc for a pessoa q pensa q nunca gostaria de me conhecer, parabens por suportar a ler ateh aki, pq se eu fosse vc nao teria aguentado, se eh q vc aguentou, ou se eh q eu estou falando com alguem...

Ateh que me convidaram pra sair desse quarto, mas por eu nao saber me comunicar com meu pai, ele nao perguntou como seria essa jornada e nao me deixou, ele soh deduziu tudo e me proibiu muito. Sem dinheiro, sem vontade de te-lo. Sem vontades... nem de comer, soh de fumar. Se eu pudesse, jah teria feito com maconha. Ouvindo Eminem e assistindo desenho animado e fingindo que eles estavam cantando a musica.

Mas jah q nao eh assim, eu fico aki, sonhando que faço. Nao vou atras das poucas coisas q sinto vontade pq nao vou destruir soh a mim, e por mais q pareça q eu seja, eu nao sou egoista. Nao a ponto de destruir a paz das outras pessoas.

Fico aki vendo a doença da minha mae. Fico me vendo brigando com ela por ela nao saber lidar com as dores. Fico puta qndo falam que fui eu q fiz uma coisa sendo q eu nem sei q coisa q era akela. Pessoas que roubam esqueiros.. e cigarros e absorventes e telefones de garotos do bolso de fora da bolsa de garotas. Eu mereço? Ha uma semana atras isso aconteceu. Mas tudo bem. Queremos parar de fumar, neh! Querer, todo mundo quer, mas poucos conseguem. Qm sabe desse jeito q eu to aki, eu consiga?

Se eu pensasse assim realmente nao teria saido ontem. Eh, eu sai e dancei e vi mulheres se beijando, tive vontade, mas como faria? No way. Prefiro fantasiar na internet. As coisas sao dificeis demais.

Nao sei se eh isso, mas foi soh eu me identificar com um cara que estah meio triste (ou esteve), que eu me transformei nesse monte de pele ambulante.

Meu kblo ainda fede cigarro, eh a unica lembrança d ontem. Como se eu quisesse ter lembranças de alguma coisa.Saudade nao eh uma coisa legal. E a sorte eh q eu nao tenho saudades. Mentira, tenho sim. Do cara que esteve triste. Eh triste, mas... eu nao sei o que vai acontecer. Tambem, se estivesse preocupada em saber, jah teria sabido.

Eu me contradigo e contradigo as pessoas. Sou subversiva, uma escrota, um animal fedido, assim como vc tb poderia se transformar com uma semana de hibernaçao. Ou nao.

Nem acho q eu esteja sofrendo, pq dizem q qndo vc sofre, vc atinge um patamar espiritual acima, e eu nao to sentindo nem meu espirito, imagine uma dor, um sofrimento?

Queria que as pessoas pudessem me conhecer sem me conhecer. Como o Eminem ou a Bjork. Ninguem nunca conversou com eles, mas sabem exatamente oke eles sao. Pena que minhas palavras nao sao o suficiente. A arte. Teatro, musica, movimentos, imagens, sons, atitudes, expressoes, palavras. Isso sim eh o suficiente.

Suspiros ofegantes, olhares baixos. Nao sei o que isso significa. As vzs nem significa nada. Eh o teatro q eu faço... eh o que eu faço para mostrar pra ti o que tirei de mim. Nao eh enganaçao, eh exagero. Nao precisa ser julgado, precisa ser observado e sentido, permitindo que o que existe continue existindo. E eu continuo sendo eu mesma...

Acabei de pensar em outra coisa: livro. Com tudo oke eu escrevi na vida, de autoria minha, daria para publicar um livro, um belo de um grande livro, mas acho q ninguem ia gostar de ler. Sinceramente, nao mesmo. Talvez eu esteja mentindo de novo. Talvez soh eu gostaria de ler, e eu seria sempre q pudesse, e sorriria e me admiraria, e talvez ateh voltasse a sentir amor, nao soh por mim, mas pelas coisas e ver a poesia em todas as coisas do mundo, excessivamente, e nao poucamente como eu ando vejo. Bom, nao posso reclamar, pelo menos ainda vejo.


Do mesmo jeito que vc sente vontade de conversar comigo ao ler essas palavras, chega proximo de uma das minhas poucas vontades: conversar sobre pensamentos e coisas malucas sem medo do que o outro vai pensar, tendo a certeza de que estah sendo admirado pelas suas ideias e seu jeito de se expressar. Mas como fazer isso? Talvez eu almeje isso por ser uma criança ainda, crianças sentem necessidade de se senirem maduras e com ideias na mente a ponto de se sentirem como uma pessoa que realmente existe, e nao ter medo disso, ou sentir medo e assumir para conseguir destruir todo o medo.

Acho tambem que eh mais confortante me fingir de personagem, alem das pessoas aceitarem mais facilmente o eu lirico, eu me sentiria normal. Pq fugir eh assim mesmo: eh sempre bem legal. Um personagem de caracteristicas bem exageradas, dah pra admirar, mas a mim nao. Ou entao eu deva entrar na pele de um personagem para escrever. Ai volta para a fulga, me fingir para eu nao saber q eu sou isso tudo ai. Um monte de confusao, complexidade, ambiguidade, umbiguismo e td mais. Eh triste para mim, nao sei se pra vc, mas eh a realidade. A realidade sempre doi, mas eu estou anestesiada, pode me mandar uma bomba que no maximo eu irei piscar ou bocejar.

Ou vai ver q eu escrevo fingindo ser um personagem para ler depois e sentir que estou me identificando com alguem. Meio burrinha, neh!

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