quinta-feira, 28 de novembro de 2002

Na solidao de um porao de uma casa quase feita. Parecia um animal. Mal sabia que o era. Entre relampagos, chuvas e escuridao. Nao sabia como se comportar. A chuva nao passava e o cigarro estava no fim. O lugar era pequeno, nao cabia dentro dela. Havia uma mesa, umas taboas de madeira e uma estante do seculo dezessete que nao sabia o que la fazia. Seu relogio acabara de quebrar, algumas gotas de toda aquela agua foram o suficiente. Pelo menos passou seus ultimos 20 minutos sozinha, isso era uma bençao. Nao tinha nada mesmo, nem ao menos uma chama de qualquer vela para lhe fazer companhia. Palavras em ingles e poemas vinham em sua cabeça. Nao se cansava de relembrar todos seus casos de amor. Tambem nao sentia fome alguma. Ela sabia de algo que nem a ela mesma seria revelado. Queria se sentir um teatro e fazer tudo o que nao foi possivel realizar ate entao. Se contorcia, se esticava, chorava e gritava. Aquilo nao tinha sido o suficiente, se nao pudesse mais, que tivesse sido em vao. Nao gostaria de saber que daquilo que entendia nao tivesse vindo da realidade. E por isso fazia aquilo. Chorou e sorriu ao mesmo tempo. Soluçou e tossiu, em um so espirro de lembranças. Se acariciava e logo se cuspia para ver o pecado saindo de sua pele. Nao via nada! Nao sentia o perfume no ar. Adorava que lhe falassem nao. E queria saber o por que de tudo. E o tudo era essa sua vida sem por ques. Nao sabia se vivia, sabia que existia. E nao existia pq queria ou nao, simplesmente pq assim o era. Fazia tudo de acordo com seus instintos. Sentia tudo na hora. Era sua forma de existir. Como se o que existe tivesse uma forma.

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